Saturday, June 28, 2008

Professores realizam estudo científico sobre MMA


Por David A. Avila, colaborador do NBCSports.com

Ao ouvir o anunciante gritar os nomes Chuck "Homem de Gelo" Liddell e Wanderlei "Assassino do Machado" Silva, você poderia pensar que estão fazendo a chamada de uma reunião do clube de assassinos em série [N.T.: “serial killer club”].

É apenas MMA.

Devido ao início desorganizado e sem regras, o MMA angariou má reputação como um dos esportes mais brutais já concebidos; uma loja virtual de horrores.

Não é isso, dizem dois estudiosos que investigaram o esporte a partir de dentro e de fora.

Após estudarem o ascendente esporte MMA durante dois anos, dois professores universitários lançaram livro com substancial análise dos aspectos essenciais da luta profissional: "Lutando por Aceitação: Mixed Martial Arts e Violência na Sociedade Americana" [N. T.: o título original é “Fighting for Acceptance: Mixed Martial Arts and Violence in American Society.”] .

O título enuncia sucintamente.

Autores David T. Mayeda e David Ching passaram dois anos entrevistando vários participantes do esporte que mais rapidamente se desenvolve. Foi Ching que aproximou Mayeda da idéia de escrever um livro para explicar o esporte ao resto do mundo.

Mayeda, detentor de doutorado em História Americana, enxergou o convite como oportunidade de refletir sobre mitos e teorias sobre efeitos do MMA na opinião pública americana. Ching é economista e concluiu mestrado.

Ambos tinham dois objetivos principais: 1) descobrir se o MMA estimula a violência, e 2) verificar se é o esporte mais selvagem?

Em 2005, os dois havaianos começaram o estudo em sua ilha nativa, passando por academias situadas ao longo do território dos Estados Unidos; de Califórnia a Nevada e Texas. A meta era colher opiniões de pessoas envolvidas no MMA, através de entrevistas com veteranos e iniciantes no esporte.

Entre as pessoas ouvidas, estão Randy Couture, Quinton "Rampage" Jackson, Dan Henderson, Bas Rutten, Jason "Mayhem" Miller, Travis Lutter, Chris Leben, Guy Mezger, Antonio McKee, Tony Fryklund, Jesse Juarez, e Chris Bowles. Estes são apenas alguns dos lutadores entrevistados para este livro, que apresenta o MMA visto por dentro.

Quando dois lutadores entram na jaula e começam a girar antes de explodirem em uma profusão de chutes, socos e quedas, o público da arena ou da televisão raramente percebe quanto esforço e sacrifício são necessários antes de realizar esses atos.

Mayeda e Ching analisam minuciosamente o ponto de vista dos lutadores sobre questões que sempre despertaram a curiosidade dos fãs. O livro é uma compilação de perguntas e respostas sobre o esporte que foi inicialmente repudiado pelo público em geral e pelos políticos. Somente agora o MMA está sendo mais aceito, inclusive por pessoas que antes defenderam a proibição.

Um das partes mais interessantes do livro é aquela em que lutadores respondem o que pensam antes de uma grande luta. Outra, é a análise sobre remuneração e o fato de que nem todos os lutadores de MMA enriquecem.

Pouquíssimos lutadores recebem mais de um milhão por combate.

Travis Lutter, renomado lutador que recentemente encerrou contrato com o UFC, explica que a maior parte dos profissionais ganha pouco. Se receber U$2.000 ou menos, é muito provável que nem consiga pagar as despesas com treinamento, exames médicos, alimentação e suplementos.

Profissionais do MMA não são ricos, ao invés do que se costuma pensar.

Muitos recebem o estritamente necessário [N.T.: para viver]; mesmo um lutador excepcional como Rashad Evans, pela luta com Tito Ortiz no ano passado, ganhou irrisória bolsa de U$16.000. É bem verdade que o pagamento de Ortiz foi U$210.000, mas ele está entre os poucos lutadores consagrados que arrastam multidões. Parece injusto, mas o negócio é regido pela lei da oferta e procura. Quanto mais popular o lutador, maior será sua remuneração.

Um lutador, Ku Lee, acerta em cheio ao descrever o esporte como mais voltado para a classe média, e ao explicar que os alunos das academias de MMA apenas precisam "pagar 200 dólares (por mês) para praticá-lo."

Também é interessante a seção dedicada à segurança. O MMA ainda é assim tão perigoso?

Os dois escritores mergulham de cabeça no assunto e fazem grande trabalho, comparando MMA e esportes como boxe, futebol [N.T.: americano], rugby e outras modalidades em que há contato físico.

"O futebol é muito mais violento", disse Mayeda, por telefone. "Há uma ex-ginasta, atualmente competindo no MMA, e ela afirma que a ginástica é muito mais brutal."

É uma maravilhosa coleção de citações, entrevistas, idéias e teorias acerca dos efeitos do MMA sobre o público em geral. Se você gosta de MMA, então este livro é fonte valiosa para defender o esporte. Pode ser adquirido na Amazon.com ou BarnesandNoble.com

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